Lins - Um Grande Potencial Para Empreendimentos

Data da publicação 20/03/2015



Berço de empresas de grande porte, Lins está em posição estratégica no mapa.“É um centro, atrai, é um polo”, afirma o Coordenador da Incubadora de Empresas de Lins, Flávio Anequini. “Lins tem tradição de boas empresas, grandes corporações começaram aqui e depois se expandiram para outros territórios”, complementa o Gerente de Inovação, Valter Dal Bello.

 

Posição Estratégica no Mapa

 

Apesar do potencial da cidade, ambos reconhecem que na conjuntura atual é preciso motivar o empreendedor. Fazer o linense enxergar o que é possível realizar sem sair da cidade tem sido o desafio: o famoso “complexo de vira-lata”, como definem, ainda predomina. “Recentemente, os representantes da empresa de motores Weg nos falaram que, quando foram escolher uma região para abrir mais uma representação, pensaram: ‘tem que ser Lins, está numa região que não tem quase nada. As pessoas vão para Bauru, Marília ou Araçatuba e que fica mal atendido’, e os linenses perguntava o que eles iam fazer aqui ainda, o pessoal está sentado em cima da mina de ouro e não sabe” conta Valter.

 

 Várias empresas são citadas por eles como exemplos de empreendimentos que tiveram Lins como a maternidade, mas o Brasil todo como moradia. “Tinha o Garavelo, grupo que chegou a ter 80 empresas no país todo, a Tanger e a Arapuã também começaram aqui. Além disso, aqui tinha o Foto Euclides, pioneiro em trazer atores globais nos bailes de debutantes. Ele inventou o salão de crianças, teve representações no Brasil todo e era o maior cliente da Kodak. Mais recente, o Grupo Bertin extrapolou as fronteiras nacionais”, detalham.

 

 

É justamente aproveitar esse material humano o foco da Incubadora. Segundo Flávio, todos podem ser empreendedores, mas não são todos que querem. O desafio é reter os talentos que saem das universidades locais que, segundo eles, deveriam dar mais atenção ao empreendedorismo. “Se você tivesse dormindo há 50 anos e acordasse hoje dentro de uma sala de aula, não ia sentir mudança nenhuma”, afirmam. Ambos declaram, porém, que o professor de empreendedorismo também deve ser um empreendedor ou ter, pelo menos, um espírito inovador para estimular o aluno a buscar o diferente.

 

 Além do alinhamento da formação acadêmica com o mercado, é preciso que as universidades ofereçam um ambiente favorável à prática de ideias.

 

Alavanca

 

A ideia, recheada de empolgação, precisa encontrar o parceiro para realizar o casamento: o investimento, complementado com a técnica. Esse é o perfil do Hotel de Projetos, destinado a universitários e alunos do ensino técnico.

 

Após avaliar a projeto do aluno a equipe do Hotel trabalha com ele para ver se tem oportunidade de gerar um empreendimento, em caso positivo, a Adetec o subsidia. É a fase embrionária do processo. “Eles podem vir aqui hora que quiserem, mas em dois dias da semana, um profissional trabalha metodologias modernas”, explicam.

 

Geralmente, as ideias são empolgantes e interessantes, mas carecem de técnica e conhecimento. O desafio dos jovens é, justamente, abrir a empresa. E para identificar esses talentos, a Incubadora criou o Programa Empreendedor do Futuro. “Apesar de somente os três vencedores serem premiados, nós estamos puxando sete projetos dos 21 que se apresentaram, porque entendemos que não é apenas o campeão que tem possibilidades. é um trabalho de percepção e de dar gás ao pode dar certo”, exemplifica Flávio.

 

 

Além da formação e contribuição para a bagagem de conhecimento dos jovens, o método de trabalho é em equipe, um ajuda o outro a por o seu projeto em prática, por isso todos trabalham na mesma sala. “A tendência, ainda, é fazer com que eles escolham dois ou três projetos em um rol de 100 e, em um final de semana, dividam-se em grupos para desenvolve aqueles empreendimentos”, conta Valter. Um exercício de prática. Segundo eles, a ideia, quando muito, é responsável por 10% do negócio. É a execução, a parte operacional que determina os 90% restantes para o sucesso.

 

A empolgação das mentes jovens que integram a equipe parece ser o combustível do empreendimento, o que motiva o “carro” a andar. Ambos contam que os jovens participam de seminários e eventos em outras cidades e retornam animados ao ver que a realidade de Lins não está atrás desses locais.“Nossos agentes de inovação daqui são bem novos, mas com boas características. No último evento em que foram apenas apara assistir, o pessoal de lá os escolheu para serem mentores projetos”.

 

Para alavancar os projetos e fazê-los alçar voo, os empreendimentos precisam chegar até o campo de visão dos investidores, e esses precisam olhar mais adiante. Exemplo é o projeto Engenharia Minuto, que acaba de assinar contrato com uma aceleradora de São Paulo, a mesma que iniciou o Buscapé, conhecido site que compara preços de produtos em todas as lojas virtuais. “O empreendedor vê a oportunidade e nós precisamos atrair o pessoal, por exemplo, se alguém tem um projeto de TI, um aplicativo que seja, junto com a empresa capitalista do empreendedor pode ir longe”, pontuam.

 

 Desenhando o Caminho 

 

 "Para onde a gente quer ir?", essa é a questão norteadora do GADE (Grupo de Apoio ao Desenvolvimento Econômico de Lins), que congrega e cria canal de diálogo entre Adetec, Prefeitura e empresários. "O que nós queremos daqui a 20 anos?", questionam. Mesmo ainda em fase de afirmação, nas trocas de experiências e interação das reuniões mensais,  o grupo pensa no perfil socioeconômico que Lins deverá assumir futuramente. "Para onde a gente vai? É centro logístico mesmo? É a questão da água?  Da agroindústria? Da tecnologia?  Essa questão da água é para se pensar, nós estamos em cima do aquífero. Várias pessoas de fora do Brasil vieram ver o saneamento daqui, Lins é uma das poucas cidades com 100% do esgoto tratado", apontam. 

 

 

O mesmo questionamento foi o passo inicial para a criação do Centro Tecnológico de São José dos Campos, onde nasceu a indústria aeronáutica do Brasil. “Nós queremos chegar a 100 mil habitantes?  Então o que nós precisamos para isso?  Foi o que eles fizeram na década de 40, tinham apenas 40 mil habitantes. Estivemos lá e eles disseram que do ponto de vista teórico, começamos na frente deles, de quando eles iniciaram". O objetivo agora é esse, alinhar a questão norteadora e debater o assunto com diversos setores.

 

Para Valter e Flávio, não formatizar ainda o Gade foi uma opção pautada na inovação e criatividade, elementos que exigem poder e autonomia para todos os envolvidos. ”Não é só participar, é interagir. Depois, podemos formalizar. Mas temos que cultivar esse ambiente. As pessoas precisam vir aqui, nosso braço é curto”.

 

O centro de inovação tecnológica, outro projeto da Adetec, aguarda a liberação de recursos provenientes do governo do estado, mas a formação de capacitação de profissionais para disseminação da ideia de inovação e interação já estão em andamento.

 

Planejar Menos, Inovar Mais

 

 

Tentativa é outro ponto abordado pelo coordenador e pelo gerente da incubadora. Eles afirmam que é vital para o crescimento de uma startup que aconteça o erro, algo que dizem ser reprovado no Brasil, mas aceitável e outros países e importante para o amadurecimento do negócio.

 

Além disso, eles alertam para o fato de que uma consequência é o fato de não haver mais aquele planejamento longo de um ano ou mais no empreendedorismo, porque quando o plano for colocado em prática, estará ultrapassado, especialmente no ramo da tecnologia, que se atualiza rapidamente. Planejamento de curto prazo com constantes inovações é a pedida do momento.

 

Por isso, para 2015, os planos são ousados: triplicar a receita da Adetec. Atualmente, a agência recebe verba do poder público e do setor privado, mas a ideia é aumentar a fonte advinda do segundo e ganhar independência do primeiro. “A gente tem que atingir a autossustentabilidade, não podemos ficar presos ao setor público. Precisamos desenvolver uma série de ações, cursos, treinamentos, ampliar a participação de parceiros nos recursos da agência. O que nós vamos ensinar para outros se não praticarmos?”, ponderam. Fortalecer o ambiente, então, é a primeira medida para a meta pretendida. Como fazer isso?“É uma questão de cultura, precisa disseminar. Queremos sentar, discutir, sugerir, e vão surgindo inovações, assim vai se fortalecendo”, indicam.

 

Pela característica marcante de formação de pessoas, a incubadora é uma escola de empreendedorismo, e é por esse viés que caminham alguns planos.“Se está falando em empresa, temos que valorizar a pessoa e o conhecimento, não existe empresa sem pessoas. E o presidente da Adetec deseja transformá-la em centro de efetivamente de ensino”. Assim, mesmo que um negócio nascido na incubadora não prospere, o mentor carrega a bagagem necessária para a nova tentativa.

 

Como funciona a Incubadora de Empresas

 

 

Existe a fase de pré-incubado, quando há apenas uma ideia. Nessa fase, a pessoa pode ficar ate um ano, embora atualmente já haja mais flexibilidade. O incubado é a empresa construída que já tem um produto e uma atividade econômica e pode ficar até três anos.

 

Há, ainda, associado, que é aquele que possui uma estrutura física, mas busca apoio em alguma área, seja financeira ou em marketing, por exemplo, para desenvolver o negócio O graduado já passou pelo programa e recebeu o diploma, está apto a caminhar com as próprias pernas, em espaço físico e próprio. “Nosso maior objetivo e sonho é ter um espaço próprio para desenvolver todas as etapas, da incubadora até um condomínio para o graduado. Queremos criar um polo”, revelam. Hoje, há 18 empresas graduadas na incubadora de Lins.

Foto do banner por: Landerson Neves

Fonte: Jornal Debate - Edição Especial de Fim de Ano, Lins, domingo, 21 de dezembro de 2014


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