O Empreendedorismo e a luz no fim do túnel

Data da publicação 24/02/2017



O cenário econômico é preocupante. Ainda. Mesmo que alguns indicadores, como emprego com carteira assinada, comecem a sinalizar uma tímida reversão do quadro que tem assolado o país há longos meses – quase dois anos!

 

A solução encontrada por algumas pessoas já é bem conhecida: quem foi demitido investe parte ou a quase totalidade de seu Fundo de Garantia em algum empreendimento. O que se assiste, depois de algum tempo – esse, também estimado em poucos meses, menos de um ano –, é o fechamento do empreendimento. O Brasil tem se destacado como um dos países mais empreendedores do mundo, senão o mais empreendedor. Porém, parte significativa desse empreendedorismo é do tipo “empreendedorismo por necessidade”: não que a pessoa jamais tenha sonhado em ter um negócio próprio, mas é que só se aventurou nele por não ver outra alternativa. O que significa que é uma ação de desespero que pode, quase certamente, resultar em maior prejuízo do que em sucesso. O índice de mortalidade de micros e pequenas empresas é alarmante: cerca de apenas uma permanece com as portas abertas, dentre quatro que se lançaram no mercado, após um período de dois anos.

 

As razões para o fracasso dos novos empreendimentos são muitas, mas essas causas podem ser contornadas, desde que sejam disponibilizadas as ferramentas e os apoios necessários. Um desses apoios é a construção de um ecossistema empreendedor, que oriente cada novo empreendedor em todo o seu processo de concepção de ideia, desenvolvimento de conceito, modelagem de negócio, ingresso e sobrevivência no mercado – o que pressupõe treinamentos, assessorias técnicas especializadas, consultorias e mentorias, treinamentos... Enfim, não apenas um aporte financeiro, que é importante, sem dúvida, mas não é o mais importante. Tanto que se conhecem várias histórias de empreendedores de sucesso que iniciaram seu negócio praticamente do zero (em termos financeiros).

 

Dentro desse ecossistema, as incubadoras de empresas têm um papel de destaque. Em 2016, o impacto econômico direto das empresas incubadas e graduadas (que já saíram das incubadoras e ingressaram oficialmente no mercado) foi de mais de 15 bilhões de reais! Indiretamente, essas mesmas empresas geraram uma produção de cerca de 24 bilhões de reais, uma renda de 13,5 bilhões de reais e quase 400 mil empregos. Repetindo: quase 400 mil empregos gerados em um período de grave recessão (embora muitos não queiram o uso da palavra).

 

Quer dizer: há luz no fim do túnel!

 

Entretanto, é necessária a criação do ecossistema empreendedor, da rede de apoio ao micro e pequeno empresário. As incubadoras, conforme destacado, são importantes, sim, mas, além de incubadoras, um elemento importante são os agentes públicos: o governo municipal, por exemplo, tem de agir como um patrocinador, entendendo que, seu apoio a novos empreendimentos certamente impactará o desenvolvimento de uma região, uma vez que esse apoio atrairá empresas e que elas retornarão o apoio recebido sob a forma de impostos e tributos, por um lado, e a geração de emprego e renda, por outro.Mas não é só. Os beneficiários não são apenas aqueles diretamente envolvidos nos empreendimentos, porém toda a região e sua população. Afinal, quando se tem uma diversidade de micros, pequenas e médias empresas, uma região não sofre tanto pelas alternâncias da economia. A sazonalidade ocorre nos mais diversos setores, mas não ocorre em todos ao mesmo tempo. Uma economia local assentada apenas na pesca, por exemplo, pode ser arruinada na época da piracema – um quadro que só não se torna pior porque o governo tem de meter a mão no bolso (no bom sentido, claro) e auxiliar o pescador (o chamado Seguro Defeso, no valor de um salário mínimo). Claro que existem requisitos para a concessão do benefício, mas essa quer ser apenas uma exemplificação genérica.

 

Ademais, em tempos nos quais se vive a chamada Quarta Revolução Industrial, deve-se entender que as empresas de base tecnológica agregam mais valor aos produtos, criam novos mercados, reduzem custo de produtos, além de propiciarem condições para uma melhor distribuição de renda (um desafio constante) e a fixação de uma massa crítica e criativa no interior.

 

No Brasil existem, atualmente, 369 incubadoras de empresas. E Lins tem o privilégio de contar com uma delas, sediada na Agência de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico de Lins (Adetec). Contando com o apoio de associados, patrocinadores e investidores, a Adetec tem conseguido construir o referido ecossistema empreendedor na região porque, além da Incubadora de empresas, possui outros projetos como o Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) (que ajuda as empresas no desenvolvimento da Inovação e da sua gestão nas empresas), o HOTEL DE PROJETOS (que trabalha com jovens universitários ou não e interessados em desenvolver sua ideia de negócio), a Rede de Apoio ao Jovem Empreendedor (REAJE) (que mobiliza jovens aos sábados à tarde para discutir as ideias de empreendedorismo e sua cultura de transformação), o EMPREENDEDOR DO FUTURO (concurso de Modelos de Negócios que escolhe, anualmente, os três melhores entre dezenas de participantes para que desenvolvam suas ideias e as transformem numa empresa) e, por fim, o Centro Municipal de Formação Profissional (CMFP) (que, em parceria com o SENAI e a Prefeitura Municipal de Lins, forma milhares de Jovens para o seu primeiro emprego). Felizmente, o governo municipal tem se mostrado um parceiro sempre atuante e um apoio sempre presente. São essas circunstâncias que permitem aos visionários, aos inovadores, aos aspirantes a empreendedor, aos empreendedores anteverem a luz no fim do túnel. É essa teia, essa rede de parceiros que atua para que a comunidade linense avance, supere as agruras de uma crise econômica e fortaleça seu papel como município-referência na Noroeste Paulista. Noroeste que lembra a ferrovia, com seus trens, trilhos, pontes e túneis; mas que alimenta a esperança de que, para além desses túneis, estão sendo construídas, já, as fontes de luz.

André Fassa

Presidente da Adetec, Coordenador do Curso de Marketing da Unilins, Professor Universitário, Consultor, Palestrante e Escritor.

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