Procuro sócios para um negócio rentável – topa???

Data da publicação 20/12/2016



Olha minha ideia é montar uma seguradora, estabelecendo regras para que cada segurado interessado contribua conosco, com cerca de um décimo do seu salário, sim isso mesmo, como um dízimo, e os patrões ou empregadores, contribuam com mais 2 décimos ou 20% do salário pago aos seus trabalhadores e tem mais, sobre o faturamento de cada empresa se pague 3% ou 7,6% conforme for a opção tributária a título de COFINS e mais 2,3% a título de FUNRURAL e se você pensa que nossa arrecadação para por aí, receberíamos ainda mais 9% de Contribuição Social Sobre os Lucros de cada empresa. Pronto tá montada nossa base de receita. Isso sem falar nos demais impostos, tributos, seguros de acidente do trabalho, contribuição a empresas terceiras de apoio à educação e formação profissional e tantas e tantas contribuições sobre importação destinadas ao custeio desse seguro.

 

 

Bom com essa receita toda, a gente oferece como benefício, assistência médica, salário maternidade, salário família, mas sempre pagando o mínimo possível aos profissionais da saúde e entidades de saúde conveniadas conosco, e estabelecemos um engenhoso cálculo para que depois de 30 ou 35 anos, ou mesmo a partir da velhice aos 60 ou 65 anos, o segurado possa receber sua renda mensal denominada de “aposentadoria” já defasada e ano a ano reajusta por índices inferiores a inflação oficial. Que tal? Negocião né! Pode quebrar uma empresa com tamanha fonte de renda assim? E aí, Vamos entrar nessa? Opa... Verdade essa “empresa” já existe e se chama Previdência Social cuja contribuição é OBRIGATÓRIA.

 

Pode quebrar uma fonte de receita tão abrangente e vultosa como a que de forma simplória resumi acima ? Minha resposta é que é impossível quebrar. Só quebra na pior das hipóteses por uma péssima gestão ou corrupção galopante. Daí cada novo Ministro quer nos fazer acreditar que se não dermos mais uma cota de sacrifício, dentro de alguns anos, a Previdência não terá como bancar os segurados. É pra rir ou prá chorar?

 

 

Senhoras e Senhores leitores, deixando o tom irônico que usei até aqui, e partindo para questões mais técnicas, saibam que a Previdência Social recebe de cada trabalhador e empregador todos os meses a bagatela de cerca de 30% (8, 9 ou 11% do empregado e 20% da empresa) sobre cada salário. Isso mesmo, quase 1/3 de todo trabalho com ou sem vínculo empregatício no Brasil, isso para falar apenas do que se contribui sobre a Folha de salários, sem levar em conta o que se arrecada sobre faturamento, lucros e demais fontes de custeio descritas.

 

Vale dizer ainda que quando uma categoria de trabalhadores através dos seus Sindicatos sentam-se à mesa para negociar com o Sindicato patronal, a Previdência por tabela vê sua receita aumentar na mesma proporção. Ou seja, ela, Previdência,  fica quietinha atrás do muro e deixa o “pau” comer entre patrões e empregados, já que o que for definido como reajuste salarial, acarretará automaticamente reajuste do que ela recebe, posto que a base dos 30% é o salário mensal.

 

Ora senhores, ao longo da história, desde as primeiras caixas de assistência pública nos idos dos anos 1930, o Governo tem mudado brutalmente as regras sempre com a desculpa de que caso contrário, não haverá recursos para pagar o combinado anteriormente, fazendo um terrorismo na mente do segurado, que por sua vez não se constitui numa categoria organizada, já que em sua maioria trata-se de trabalhadores carentes de assistência médica ou já idosos, que acabam por se conformar. Mas já que estamos passando o Brasil a limpo, garanto ao meus amigos leitores que uma operação similar à Lava-Jato na Previdência Social, vai fazer aparecer todo o dinheiro surrupiado, mal gerido ou desviado desse poderosíssimo caixa previdenciário. Não é possível aceitar mais imposições à sociedade que já contribuiu e vê sua renda e seu tempo de contribuição serem solapados de forma vil e brutal.

 

Estou aberto a debates. Um feliz Natal a todos!

Cássio Bauléo

Consultor Contábil do Escritório Contábil Paulista de Lins e Vice-Presidente da Adetec

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